Este guia é para quem quer fazer um vídeo cinematográfico com inteligência artificial e nunca fez nada parecido. Do começo ao fim você vai ver o caminho que eu percorri, desde a primeira ideia até o filme montado.
O curta que saiu daqui tem 6 minutos, se passa na Amazônia e tem dinossauros, mas o caminho serve para qualquer tema que você queira.
Se você já edita vídeo, a diferença é que várias decisões que hoje você toma na timeline passam a ser tomadas antes, ainda no texto. Voltar atrás no texto é de graça, e depois que a geração acontece cada volta cobra de novo.

1. Como testei
Para este projeto a gente usou duas ferramentas. O Claude Code, com o modelo Fable 5, é onde eu levanto as ideias, escrevo o roteiro e disparo as gerações. E o Higgsfield é onde as imagens e os vídeos são gerados de fato.
Dentro do Higgsfield a gente usa três modelos diferentes, um para cada etapa. O GPT Image 2 faz as folhas de personagem, porque ele segue bem o que o prompt pede e mantém realismo. Os cenários saem do Higgsfield Soul Cinema, que já entrega um color grading parecido com cinema. E as cenas em movimento são geradas pelo Seedance 2.5.
Se você quiser economizar tokens no Claude, o Opus 5 dá conta do mesmo trabalho sem problema nenhum.
O Higgsfield cobra em créditos, e crédito é a moeda de todo número que aparece aqui. Um vídeo em 1080p custa 9 créditos por segundo, em 720p custa 6, e uma imagem sai por 2. No meu plano do Higgsfield, 31 créditos custam 1 dólar, então cada segundo em 1080p sai por volta de 29 centavos. A conversão muda de um plano para outro, então vale conferir a sua antes de fazer as contas do projeto.
2. O caminho inteiro
O processo tem oito passos, e os quatro primeiros acontecem inteiramente no texto. São a ideia, o roteiro, a decupagem e as fichas de personagem e cenário. Nada disso gasta crédito, então você pode refazer quantas vezes quiser até ficar do jeito que você quer.
Os quatro últimos passos geram arquivo de verdade, e são os assets, os elementos, as cenas e a montagem. Cada disparo aí cobra, e cada correção cobra de novo pelo clipe inteiro, não pelo pedaço que você quer mudar.
Por isso, tudo que der para decidir ainda no texto, decida no texto.
3. O que o Seedance 2.5 faz
O Seedance 2.5 é o modelo de vídeo da ByteDance, que é a mesma dona do TikTok, e foi lançado em 31 de julho de 2026.
O que ele faz além de texto para vídeo é aceitar várias entradas ao mesmo tempo. Você manda imagem, vídeo e áudio como referência, e ele combina tudo isso na hora de gerar. Com isso o personagem consegue se manter parecido consigo mesmo em cenas diferentes.
Cada geração vai de 4 a 30 segundos, contra 15 segundos no modelo anterior, o que dá bem mais variedade de cena para montar. A resolução vai de 480p a 1080p, e aqui o 2.0 ainda leva vantagem, porque ele chega a 4K. Se você precisar de mais que isso, dá para passar o clipe por um upscale depois. Ele também aceita 21:9, que é aquele formato esticado de cinema, e gera áudio nativo, com opção de desligar.
Os quatro modos. Um curta usa principalmente omni reference, e video extension quando a cena passa de 30 segundos.
4. Conectar o Higgsfield ao Claude Code
O Higgsfield entra no Claude Code por MCP, e com isso você gera imagem e vídeo de dentro do próprio Claude, sem precisar abrir a plataforma.
Para instalar, copie o link do MCP e vá no Claude Desktop em personalizar, adicionar conector personalizado. Coloque o nome de Higgsfield, cole o link e clique em adicionar. Ele vai pedir para você entrar com a sua conta, e depois disso já fica funcionando. Se preferir, dá para colar o link direto no chat e pedir para o Claude configurar sozinho, que também funciona bem.
Para conferir se deu certo, é só dar o comando /mcp. Se o Higgsfield aparecer na lista com o sinal de conectado, está tudo certo.
Depois é só criar uma pasta para o projeto e abrir ela no Claude. O primeiro prompt que eu mando é sempre o mesmo, perguntando quantos créditos eu tenho no MCP do Higgsfield.
5. As ideias vêm antes do roteiro
O primeiro passo aqui não é o roteiro. A gente começa perguntando o que fazer, porque nessa hora você tem o tema na cabeça e ainda não tem o filme.
O prompt pode ser bem simples. Você diz o tema, o gênero e onde a história se passa, e pede caminhos possíveis para escrever o roteiro depois. No meu caso eu falei que queria um curta sobre dinossauros, de terror ou suspense, passado na floresta amazônica.
Ele voltou com cinco caminhos. Uma equipe pequena entrando numa área isolada, uma lenda ribeirinha sobre uma criatura que vive rio acima, um filme apresentado como imagens recuperadas de uma expedição que desapareceu, um piloto sozinho sendo seguido por algo que a gente nunca vê direito, e uma mineradora que derruba mata virgem e acaba abrindo uma caverna.
Com a lista na mão, dê uma restrição que ainda não estava em lugar nenhum, e no meu caso foi não mostrar a criatura antes da hora. Depois devolva a pergunta para ele, perguntando qual das ideias faz mais sentido no ponto de vista dele.
Eu fiquei com a das imagens recuperadas, porque ela permite um terror mais psicológico e ainda deixa espaço para clipes interessantes. Todo o resto do projeto foi escrito a partir dela.
6. Do roteiro às fichas
Escolhida a ideia, a gente pede o roteiro com duas exigências no mesmo prompt. A primeira é a duração alvo do filme, e a segunda é o teto de 30 segundos por cena. Esse teto vem do limite de uma geração do Seedance, então cena maior que isso acaba virando duas.
O meu saiu como “A Expedição Yara”, com alvo de 4 minutos e 50 segundos, salvo em roteiro.md e já com os personagens definidos. O filme montado acabou em 6 minutos, um minuto e dez a mais do que o roteiro pedia, então conte com essa folga quando for orçar.
O resumo de cenas que vem junto costuma não ser detalhado o bastante. Peça para ele ler o roteiro.md e decupar em cenas de no máximo 30 segundos, com número, duração, enquadramento e o que acontece em cada uma delas. Peça também para marcar quais cenas podem ser extensão de uma anterior em vez de geração nova, porque essa marcação economiza crédito lá na frente.
Com a lista pronta, a gente pede mais dois arquivos separados. Um com os cenários e outro com os personagens, esse último com uma descrição detalhada de cada um, incluindo a criatura. Separar em arquivo tem um motivo bem prático, porque cenário e personagem são gerados por modelos diferentes, em momentos diferentes, e é para esses arquivos que você volta toda vez que precisar de consistência.
7. A folha de personagem trava o rosto
Para cada personagem a gente gera uma folha de referência com três vistas, sendo uma de frente de corpo inteiro, uma de costas de corpo inteiro e um close no rosto.
O close está ali por um motivo bem específico. Sem uma referência boa e aproximada do rosto, o rosto acaba saindo desfocado no vídeo, e isso acontece na maioria dos modelos. O Seedance 2.0 fazia muito isso, o 2.5 melhorou bastante, mas com uma referência ruim o problema volta.
No prompt, peça fundo cinza chapado e luz difusa. Luz marcada na folha de referência acaba enviesando o modelo depois, porque ele leva aquela iluminação para dentro da cena. E não tem problema se a folha ficar com uma cara diferente da que você quer no filme, porque ela precisa ser realista e não bonita.
Aqui eu uso o GPT Image 2, que é bem fiel ao que o prompt pede e é isso que uma folha de referência exige.
A folha do guia, do jeito que ela vai para o modelo. Frente de corpo inteiro, costas e um close no rosto, em fundo cinza chapado com luz difusa.

8. Os cenários saem de outro modelo
Para os cenários a gente troca de modelo. O Higgsfield Soul Cinema entrega um color grading parecido com cinema, e isso faz com que as cenas geradas depois fiquem mais próximas de um filme.
Vale pedir ângulo 3/4, que traz mais profundidade do que um enquadramento de frente, e vale dizer o clima do filme no prompt, porque isso reflete na luz e na paleta que ele escolhe sozinho.
Peça também para ele te mostrar cada cenário antes de seguir para o próximo, senão ele acaba gerando todos de uma vez. E lembre de pedir cenário sem pessoas, porque os personagens entram depois e figura solta no fundo atrapalha.
Esse modelo é barato e gasta uma fração de crédito por imagem, então dá para gerar várias variações do mesmo lugar sem dor de cabeça. Outra coisa que ajuda bastante é pedir para ele eleger uma imagem mãe por lugar e derivar os outros ângulos dela, em vez de gerar cada ângulo do zero, porque assim os ângulos batem entre si.
9. Salvar tudo como elemento
Com os assets prontos, a gente pede para salvar os personagens e os cenários como elementos dentro do Higgsfield.
Elemento é o que segura a consistência ali dentro. Quando você salva um personagem como elemento, ele mantém a aparência e o tom de voz daquele personagem nas gerações seguintes, e sem isso cada cena acaba inventando uma pessoa nova.
Dá para conferir na plataforma, em Cinema Studio, onde ficam separados os personagens e as localizações. Peça também para ele salvar essa lista num arquivo Markdown, para você conseguir referenciar depois sem precisar abrir o site.
A criatura do meu curta ficou como elemento interno, porque ela nunca aparece de corpo inteiro no filme, só como sombra na lona da barraca e vulto na neblina. O elemento existe ali para o modelo saber o que está projetando aquela sombra, e não para mostrar o bicho.
Até esse ponto o projeto tinha gastado 30 créditos. Imagem é barata, e vídeo é o que come crédito de verdade.
10. A anatomia do prompt de cena
Cada cena vai para o modelo com uma estrutura, e não com um parágrafo solto. São dez blocos, e cada um deles responde uma pergunta que o modelo teria que adivinhar sozinho se você não respondesse.
Escrever isso na mão para vinte cenas não é viável, então eu uso uma skill chamada higgsfield-seedance-prompt, que lê o roteiro e escreve o prompt no formato que o Seedance espera, já com a minutagem, o que aparece na cena, a iluminação e o áudio.
Para instalar, vá em personalizar, habilidades, adicionar, fazer upload de uma habilidade, e solte o arquivo ali (link da skill e dos materiais).
Para chamar depois é só uma barra e o nome dela (/higgsfield-seedance-prompt). Ela está no pacote de materiais deste guia, junto com o prompt final de cada cena do curta, para você ver os dez blocos preenchidos num caso real.
11. Gerar as cenas
Antes de mandar a cena cara, vale gerar ela primeiro numa resolução menor, só para conferir o enquadramento, e só depois disparar em 1080p. No vídeo eu pulei esse passo e mandei as quatro primeiras cenas direto, e foi isso que me custou a rodada de correção lá na frente.
O prompt de disparo é bem curto, e basicamente pede para disparar as cenas 1 a 4 de uma vez, todas em 1080p e 21:9, usando o Seedance 2.5 no MCP do Higgsfield e referenciando os elementos que a gente criou.
Especificar o modelo importa, senão ele pode acabar escolhendo outro. E não deixe de mandar referenciar os elementos, porque senão toda a consistência que você passou o dia construindo simplesmente não entra na geração. Chame a skill no mesmo prompt.
12. Onde o modelo ainda erra
Duas coisas ficaram melhores do que eu esperava. O sotaque do guia saiu bem convincente, e a voz de cada personagem se manteve a mesma entre cenas diferentes. A luz também bateu bem, com uma cena de dia emendando numa de fim de tarde sem parecer outro filme.
O ponto onde ele mais sofre é a silhueta. Toda cena que pede a silhueta de uma criatura acaba voltando com silhueta humana, ou com a criatura aparecendo demais, o que estraga o suspense.
Outra coisa que vale saber é que feedback geral melhora umas cenas e piora outras. Sai bem mais barato refinar o prompt de cada cena antes de gerar do que corrigir o lote inteiro depois.
13. Quanto custou
A estimativa antes de começar foi de 2.160 créditos, e ela sai de uma conta bem simples. Quatro minutos são 240 segundos, e 240 segundos a 9 créditos por segundo em 1080p dão exatamente 2.160, que no meu plano são uns 70 dólares.
Essa conta costuma ser furada para baixo, porque ela não considera os clipes que você descarta, o tamanho do prompt, nem quantas imagens você mandou como referência.
A geração das cenas ficou em 2.315 créditos, bem perto da estimativa. O que estourou o orçamento foi a rodada de correções, que levou o projeto para 4.295 créditos no total, uns 139 dólares.
Uma coisa que ajuda bastante é que dá para saber o custo antes de gastar. Você pede quanto vai custar aquele clipe e o MCP responde antes de disparar.
Materiais deste guia
Todo o material deste guia está numa pasta do Drive, aberta para quem quiser baixar.
No pacote vão os prompts que eu digito no Claude Code, do levantamento de ideias até o disparo em lote, a skill higgsfield-seedance-prompt pronta para instalar, e o prompt final de cada uma das dez cenas e dos quatro inserts do curta, um por arquivo. São as versões que ficaram no corte, já com todos os ajustes, junto com as folhas de personagem e os cenários que entram como referência em cada uma.
https://drive.google.com/drive/folders/17tF1bDRBp_HthvMlEDPzFpzJKtdJx9vX
Vídeo completo
Espero que tenha gostado do conteúdo 🙂, e se você preferir acompanhar o passo a passo com a tela e o áudio da gravação original, o vídeo completo está logo abaixo. O curta inteiro toca no final dele, então dá para ver o resultado antes de decidir se vale o seu tempo.
Recursos
O Higgsfield é onde as imagens e os vídeos deste projeto foram gerados, e o link de acesso está aqui e também na descrição do vídeo.
O Claude Code é onde as ideias, o roteiro e os disparos foram escritos, e o modelo usado nele foi o Fable 5.










